sábado, 3 de dezembro de 2022

já diziam

tudo muda o tempo todo. eu sei bem

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

mensagem na garrafa

XXXXX,

Escrevo pra de alguma forma me livrar, mesmo que esse texto nunca te encontre. Esses dias eu sonhei com a sua irmã, talvez eu tenha comentado isso com você, mas não sei se comentei o que ela me dizia. Ela me disse: Isa, segue a sua vida.

Fiquei pensando demais na semana passada sobre o sonho, e coincidência ou não, te encontrei por acaso em menos de uma semana. 

Ainda acredito nos encontros, acho que quando eles acontecem, são necessários. Não acho que nos encontramos 2x esse ano por acaso. A primeira vez com o sol em aquário, minha lua. A segunda vez com o sol em escorpião, sua lua. A primeira vez no bairro onde dividimos a nossa segunda casa, a segunda vez no bairro onde dividimos a nossa primeira casa. 

A primeira vez que nos trombamos, depois de anos, foi essencial pra que de alguma forma a gente conversasse de forma racional sobre o que nunca foi dito, sobre o fim, sobre coisas doloridas, sobre o que estava em suspensão há anos. Saí da conversa sentindo coisas que nem sabia nomear, era uma mistura doida de alívio, tristeza, uma dor que estava presa há anos... felicidade e vazio. Um amadurecimento de ambas as partes e de um sentimento de: e se?

A segunda vez foi logo após esse sonho, eu não sei se você bota fé, mas eu tava pressentindo esse encontro, não me pegou de surpresa. Foi familiar, sempre é. Eu realmente acho bonito como as coisas se ajeitaram entre nós de alguma forma. Quando a gente se encontra podemos conversar por horas como nos velhos tempos. Isso era impensável após nosso término, agora é real, eu admiro muito nós dois.

Tudo isso pra dizer que o sonho seguido de um encontro, muito provavelmente seja um sinal claro de que chegou a minha hora de finalizar uma coisa que você já finalizou. Não dá pra brigar com o fim: é dolorido e não resolve, rss. Eu achei que tinha superado a nossa relação de alguma forma nos últimos anos, mas isso veio à tona novamente esse ano e eu precisei lidar com isso nesses últimos meses: eu não tinha finalizado, não tinha me curado, não tinha seguido, e o pior: eu não tinha me perdoado, eu tinha apenas me anestesiado.

Obrigada pelos encontros, todos, não só os desse ano. Você foi, e vai ser pra sempre muito importante pra mim. Te guardo com carinho, não consigo sentir por você outra coisa que não seja amor. Sinto isso vindo de você também, sou feliz e grata pelos nossos caminhos terem se cruzado até aqui. Do futuro ninguém sabe, mas nesse momento siga sua vida, tenha coragem e seja feliz. Desejo o mesmo pra mim.

Eu nunca soube usar vírgulas, peco pelo excesso, a cada ano esse problema fica mais grave. Também tenho dificuldade de finalizar textos, assim como tenho de encerrar ciclos. Mas era isso, obrigada! 


quarta-feira, 23 de novembro de 2022

domingo, 20 de novembro de 2022

linhas tortas

a vida pode ser qualquer coisa, menos linear.

há mais mistérios do que resoluções, mais dúvidas do que respostas, mais desencontros do que encontros.  pras minhas muitas dúvidas e perguntas (angústias tbm), isso é tudo que me respondem: "o mundo dá voltas, isabela."

e eu me contento com isso, já que, se me dessem outra resposta, estariam mentindo. pq no fundo, ninguém sabe de nada. 

deus escreve certo por linhas tortas - fé no acaso e no ditado.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

não existe, ou vc não reparou?

esse ano me deparei com situações inusitadas, que me fizeram pensar sobre o que eu sentia. os sentimentos também foram inusitados, não apenas pelas novas situações, mas acho que pq me permiti, finalmente olhar pra dentro. silenciei o externo, acho que eu nunca havia feito isso. minha análise foi essencial pra isso: estou há dois anos indo na psico. não é um caminho fácil. a autodescoberta não é mamão com açúcar não. é sofrido. é difícil pra caramba. entrei na psicanálise tentando salvar uma relação (risos nervosos), saí da relação depois de praticamente um ano, com muita clareza. quem disse que não funciona, né?! só não funciona do jeito que a gente gostaria. 

voltando nos sentimentos sem nome: dá desespero, sério, é um treco que não é familiar, que vc nunca sentiu, não facilita. vou começar a apelidá-los com nomes aleatórios. 

mas o que tem nome e você nunca observou, nunca cuidou, também é dolorido. me deparo semanalmente com situações que me pedem calma, pedem pra olhar pra dentro, pra ter paciência com meus processos e comigo mesma. é difícil, principalmente qdo vc desde pequena, foi "educada" pra agradar os outros e invisibilizar o que sentia.

resumindo a história, fico pensando: será que a gente realmente nunca sentiu, ou será que a gente não se viu?

bora se olhar minha gente, falar sobre isso, das coisas bonitas e nem tão bonitas que a gente sente.

segunda-feira, 18 de julho de 2022

rumos possíveis

tenho 31 completos... acho que qdo eu era mais nova eu era mais resistente, mais inflexível, não sei. só sei que eu tinha uma resistência e umas certezas que agora não fazem nenhum sentido hahaha.

sei que eu saí da área que insisti por alguns anos, em dezembro do ano passado. tô num lugar novo e aberta às possíveis possibilidades, mas sem uma real noção do que pode acontecer, na vdd, sem NENHUMA noção do que vai acontecer na vida (em todas as áreas), socorro. eu tô me  arriscando, mas no fundo me parece que eu preciso me jogar e de fato fazer as coisas que sei fazer (coisas manuais, tentar alguma área que envolva minha criatividade), sinto que meu medo me paralisa. medo de fracassar, de me frustrar, aí acabo nem tentando. muitas pessoas me falam há anos pra eu me jogar no que sei fazer, pra eu ser movida pela fazer manual mas, pareço ser a única pessoa que não acredita em mim, isso é meio bizarro.

tava na tokstok esses dias com a minha mãe e o vendedor perguntou se eu era artista, disse que pelo jeito que eu me vestia ele soube. escutar isso me deixou orgulhosa, porém com vergonha, e sem auto confiança suficiente pra dizer SOU. 

fui numa festa junina q alana me convidou, tinham uns colegas do mestrado dela lá, e a prof de uma disciplina de artes do corpo... conversamos, e a prof me perguntou se eu fazia teatro, neguei prontamente (pq é vdd, nunca fiz, nem nunca pensei sobre), ela disse: - que pena, vc é muito engraçada, devia pensar sobre. eu fiquei sem graça, mas orgulhosa tbm, pq as pessoas enxergam o que eu deveria enxergar, o que eu queria enxergar. triste demais não se ver né.

escrevi uma coisa no insta, uma viagem na vdd, e minha chefe me chamou de poeta, hahaha, disse que queria ler minha lista de compras... enfim, tudo isso pra ver se acredito em mim e faço algo de fato com as infos dos últimos dias.

tô pensando sinceramente em fazer teatro, circo, cenário, figurino, natação, cerâmica, oficina de escrita, tudo o que não fiz, as artes me chamam, vou tentar que nem as velhinhas de 80 anos que tentam de tudo (incluindo hidroginástica no sesc), quem sabe eu me encontro e tomo coragem de mergulhar nas artes de fato?! 

o que nunca faltou foi gente pra me encorajar, ainda não falta, isso me deixa feliz (até os desconhecidos me encorajam, eu fico passadah). acorda isabelaaaa

mas sobre não saber: no não saber moram as boas possibilidades. a vida é um mar de possibilidades, boto fé, pra pessoas indecisas como eu é um pouco complicado, massss pra pessoas exploradoras como eu, é um prato cheio! acho q isso tbm faz bastante sentido. no momento tô de mudança de casa, mudança de ponto de vista, mudança de auto entendimento e claroo, tentando mudar umas posturas. vamo ver se esse ano eu tenho um encontro marcado com a minha própria vida.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

monólogo

eu só escrevo de brincadeira, sem pretensão. mas aí percebi hj a importância do escrever, como exercício: é um monólogo, você tá falando ali com o seu eu. talvez seja grave não escrever, pq aí pode ser considerado uma falta de comunicação interna. qdo vc escreve, vc pode reviver emoções que estão ali registradas, esquecidas. pode se lembrar de algo inútil e que era passageiro, mas virou eterno, pq escrito. eu não tenho feito muito o exercício de escrever, mas ontem me deu vontade de falar comigo, de contar coisas pra mim, que talvez daqui um ano eu leia e admire, ou talvez daqui um ano não faça mais sentido. 

essa vontade não veio do nada: primeiro, eu li esses dias uma carta de como me sentia em uma determinada relação, há um ano atrás. eu tinha esquecido a sensação, mas aí achei super mágico revisitar o sentimento, mesmo que nesse caso não seja um sentimento bom. também, pq domingo agora fui numas oficinas no sesc e o tema geral era sonho. aí travei 1- pq eu nunca me lembro muito dos meus sonhos, 2- eu não ando dormindo bem, na vdd nada bem, um acúmulo de ansiedade que tá prejudicando uma das únicas coisas que funcionavam bem> meu sono. 3- pq qdo eu sonho, sempre são com pessoas do presente ou do passado, conhecidas, geralmente coisas corriqueiras, nada extraordinário ou criativo. enfim, pensando nesses pontos, tbm resolvi começar a escrever meus sonhos mesmo os bestas, pra praticar a memória (que está SUPER afetada pós covid), pra ver se de repente, com a prática consigo entender algum recado dos sonhos (alô jung- ganhei o livro do jung de aniversário do meu amigo. o engraçado é que meu aniversário é no dia do aniversário do freud, hahaha, ironias da vida) eee como a prática da escrita, apenas. 

como agora, que cheguei do trabalho e resolvi abrir o blog pq tava com vontade de escrever, e tô escrevendo várias abobrinhas, sem nem pensar muito, pq feito é melhor q perfeito. acho essa frase engraçada, não concordo plenamente. mas enfim, escrever tbm é coragem né, mesmo em uma rede pouco usada, sabendo que esse texto será pouco lido (ou nunca lido). eu tenho experimentado ser corajosa- a tentar e talvez ouvir um NÃO- e entender que tudo bem, pq antes eu nem tentava, e qdo tentava e ouvia o não, minha vida acabava, eu me achava burra, inútil e não superava. agora eu tento, e digo isso em todas as instâncias. tenho praticado a coragem pra colocar limites e talvez desagradar o outro, coragem pra me candidatar pra vagas que eu jamais me imaginaria há pouco tempo atrás, coragem pra viver como eu quiser, afinal, eu tenho 31 anos. e na verdade, a coragem é uma palavra tão pesada pra um ato tão simples... falam que coragem é agir com o coração, e agir com o coração vem de se ouvir, assim, o começo do meu texto se linka com o final. ou não tbm hahahahahaha

quarta-feira, 9 de março de 2022

Alô marciano

 Engraçado, eu tinha esquecido desse blog, já não faz mais sentido, mas ele apareceu no meu sonho essa noite, resolvi dar um alô pra qlqr leitor. Embora acredite que seja improvável que alguém ainda leia blogs, ainda mais um que não é alimentado há anos.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

dois poemas ingleses (two english poems)- jorge luis borges

I
a inútil alvorada me encontra em uma esquina deserta; sobrevivi à noite. as noites são ondas orgulhosas: ondas de pesada crista azul-escura cheias de tons de espólios fundos, cheias de coisas improváveis e desejáveis. as noites têm o hábito de misteriosas dádivas e recusas, de coisas meio dadas, meio retidas, de alegrias com escuro hemisfério. as noites procedem assim, creia-me. a vaga, nessa noite, deixou-me os pedaços e as sobras avulsas de costume: uns amigos odiados para bater papo, música para sonhos e o fumegar de cinzas amargas. coisas sem uso para meu coração faminto. a grande onda trouxe você. palavras, quaisquer palavras, seu riso;  e você, de uma tão preguiçosa e incessante beleza. conversamos e se esqueceu das palavras. os estilhaços da alvorada me encontraram em uma rua deserta de minha cidade. seu perfil que se desvia, os sons que compõem seu nome, a cadência de seu riso; ilustres brinquedos que você me deixou. revolvo-os na alvorada, perco-os, encontro-os; revelo-os aos poucos cães erradios e às poucas estrelas erradias da alvorada. sua preciosa vida obscura... tenho de alcançá-la, de algum modo; guardo esses ilustres brinquedos que você me deixou, quero seu olhar oculto, seu sorriso real- esse sorriso solitário e zombeteiro que seu frio espelho conhece.

II
com que posso detê-la? ofereço-lhe ruas decaídas, ocasos desesperados, a lua dos subúrbios maltrapilhos. Ofereço-lhe o amargor de um homem que por longo e longo tempo contemplou a lua solitária. ofereço-lhe meus ancestrais, meus mortos, os espectros que os vivos honraram em mármore: o pai de meu pai morto na fronteira de buenos aires, duas balas nos pulmões, barbudo e morto, envolto por soldados em uma pele de vaca; o avô de minha mãe- apenas vinte e quatro anos- a comandar um ataque de trezentos homens no peru, hoje espectros sobre cavalos extintos. ofereço-lhe qualquer intuição que meus livros tenham, qualquer hombridade ou humor de minha vida./ofereço-lhe a lealdade de um homem que jamais foi leal./ ofereço-lhe esse meu cerne que de algum modo preservei- o coração central que não lida com palavras, não comercia com sonhos e não foi tocado pelo tempo, pela alegria, pelas adversidades. ofereço-lhe a lembrança de uma rosa amarelada vista no ocaso, anos antes de você nascer. ofereço-lhe explicações de si mesma, teorias de si mesma, novidade autênticas e surpreendentes acerca de si mesma./ posso lhe dar a minha solidão, minha treva, a fome do meu coração; estou tentando aliciá-la com incerteza, com perigo, com derrota.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

um muro

há quase exatamente um ano não escrevia aqui. não senti vontade, não quis. mas esses dias estava pensando no blog, me perguntei pq não escrevia mais, e hoje senti vontade de voltar.
não sei se sou dramática e me coloco sempre na posição de vítima, ou se realmente (como eu penso) as coisas da minha vida acontecem numa desordem apenas excêntrica, ou que sim, que as coisas que acontecem podem ser considerados por todos bizarras. 
não sei, pq geralmente, as pessoas não são sensíveis, não tentam me entender, ou eu posso estar sendo vitimista e dramática.
quando preciso fazer escolhas (eu não gosto de maneira nenhuma de ser responsável pelas minhas escolhas), eu digo que não gosto de decidir, e que quero que a vida decida por mim (pq no fim, é isso que acontece, vc pode até escolher, mas quem decide é sempre ela: a vida), mas pessoas sempre insensíveis insistem e dizem: não, ninguém pode decidir por vc, vc é adulta, sinto muito, vc é a única responsável por suas escolhas e sua felicidade...não tenho como te ajudar.
aí dá nisso: essa crise, e automaticamente essa vontade de escrever no blog, pq esse blog sempre foi e sempre será isso: um muro das lamentações, o meu muro particular. talvez eu seja mesmo vitimista e dramática, mas ainda bem que ainda posso escrever no blog